CPHB
QUEM SOMOS
PSI Humanista
ATIVIDADES
>Psicoterapia
>Plantão Psicológico
>Avaliação Bariátrica
>Pré e pós Bariátrica
>Terapia de Grupo
>Cursos de Formação
>Livro
>Parcerias
EVENTOS
ACP no Mundo
Fale conosco
Passei por aqui

                Workshop Vivencial

                        

                Conexão Criativa
           Psicoterapia Expressiva
              Centrada na Pessoa

Conexão Criativa

Modalidade psicoterapêutica criada por Natalie Rogers*, que integra atividades expressivas a fim de desencadear o potencial criativo inerente a cada pessoa. O processo utiliza as artes para evocar conteúdos psicológicos, que geralmente são revelados com mais profundidade e com novos significados. Esta proposta revitaliza a essência criativa, aprofunda o auto conhecimento, possibilita a descoberta de diferentes formas de expressão e facilita as relações interpessoais, sempre no enfoque da Abordagem Centrada na Pessoa, de Carl Rogers.

As atividades, estritamente vivenciais, incluem: relaxamento, fantasia, movimento corporal com consciência, desenho, pintura, colagem, argila, dança, canto, dramatização, escrita livre, etc., desenvolvidas a partir de um clima grupal acolhedor e propício ao crescimento  psicológico.

É importante enfatizar que não há uma preocupação com a estética dos trabalhos, quer sejam de artes plásticas, de escrita, ou musicais. Os recursos são utilizados unicamente como facilitadores da expressão. “O auto conhecimento do cliente expande-se à medida que seu movimento, arte, escrita e som fornecem pistas para outras explorações, para aspectos desconhecidos do self”. (Márcia Tassinari).

*Natalie Rogers, é Doutora em Psicologia, Psicoterapeuta, fundadora e co-diretora do Instiuto de Terapia Expressiva Centrada na Pessoa em Santa Rosa, Califórnia. Criadora da Psicoterapia Expressiva Centrada na Pessoa, ficou conhecida internacionalmente pelo seu trabalho em terapia pela arte. 


RECURSOS EXPRESSIVOS EM PSICOTERAPIA

Márcia Alves Tassinari*

A utilização de recursos expressivos em psicoterapia não constitui nenhuma novidade, da mesma forma que as artes expressivas sempre desempenharam um papel importante nas sociedades, desde as mais primitivas. Contar histórias, representar, imaginar, escrever, cantar, dançar, desenhar, pintar, esculpir e conversar, têm sido os meios pelos quais as pessoas se expressam, se relacionam e representam o mundo para si e para os outros.

Os trabalhos pioneiros em psicoterapia infantil já apontavam para a necessidade de se utilizar o brincar e os recursos expressivos como formas de estabelecer um contato com o mundo interno da criança, daí a denominação de ludoterapia. Outras propostas de arte terapia ou musicoterapia em atendimento com adultos, especialmente com esquizofrênicos e pacientes regredidos, têm se mostrado eficazes e coadjuvantes importantes na psicoterapia.

Meu interesse nesse tema é focalizar a utilização de recursos expressivos, de maneira geral, em psicoterapia, inspirado pelos trabalhos pioneiros de Natalie Rogers, a partir do enfoque da Abordagem Centrada na Pessoa e mostrar a potencialidade desses recursos, na promoção do crescimento e da reestruturação da personalidade do cliente, além do despertar da criatividade.

A proposta de Psicoterapia Expressiva Centrada na Pessoa não se confunde como mais uma forma de arte terapia ou musicoterapia, terapia corporal ou dança terapia, ainda que utilize todas essas contribuições. A sua característica distintiva reside em não priorizar nenhuma forma de expressão do ser humano e trabalhar com a(s) forma(s) emergentes e que expressem melhor a experiência do cliente no momento, explorando-se a conexão entre a auto –expressão, poder pessoal e crescimento/cura.

Nas palavras de Natalie Rogers (1983): "O terapeuta expressivo combina movimento, arte, escrita, imaginação guiada pela música, meditação, trabalho corporal, escrita livre, comunicação verbal e não verbal para facilitar o auto conhecimento, a auto–expressão, a criatividade e estados mais alterados de consciência. Este é um processo integrador, que utiliza nossas habilidades intuitivas tanto quanto nossos processos de pensamento lógico e linear", dentro de um ambiente facilitador, centrado no cliente/grupo.

Natalie Rogers descobriu uma certa relação entre as diversas formas de expressão, que ela denominou de Conexão Criativa, quando uma forma de arte nutre a outra: "... quando tenho consciência de meus movimentos, me abro para sentimentos mais profundos, que poderão então ser expressos em cor, linha ou forma. Quando escrevo, imediatamente após o movimento e a expressão artística, emerge um fluir mais livre, algumas vezes poético.... É como desfolhar as pétalas de uma rosa para revelar a essência interna da flor."(1983)

Como psicoterapeuta infantil desenvolvi alguma familiaridade com recursos expressivos e, quando comecei a atender adultos, individualmente, sentia que somente a palavra, a conversa a nível verbal, ainda que eficaz, era insuficiente tanto para a auto-expressão do cliente como para a minha apreensão de significados mais profundos. Assim, com os clientes mais racionais, mais intelectualizados, comecei a experimentar, de maneira inicialmente tímida, o desenho como auxiliar no meu trabalho e percebi efeitos inesperados. Após o contato e treinamento com Natalie Rogers, reafirmei essa constatação e acrescentei, então, de maneira mais fundamentada, a utilização de recursos expressivos e não só o desenho, na psicoterapia.

Um aspecto importante a ressaltar refere-se à maneira de aproveitar o processo quando os recursos expressivos são utilizados. Primeiro, não importa o produto, ou melhor, o produto é secundário ao processo. O importante é como "estou fazendo isso", seja lá o que for. O que aprendo e apreendo ao desenhar, ao esculpir em argila, ao me movimentar desta forma, ao escrever livremente, ao criar meu próprio som, ao colocar movimento em meu desenho, ao improvisar um drama, etc.?

A atenção do terapeuta expressivo volta-se para a maneira como o cliente está utilizando esses recursos e qual a conexão com sua vida, com sua maneira de funcionar no mundo. No sentido de focalizar o processo, o terapeuta estimula o cliente a buscar as mensagens contidas em seus "produtos", isto é, o próprio cliente é quem vai dar sentido ao que ele fez ou está fazendo.

Deixe-me dar alguns exemplos que podem iluminar o que estou querendo transmitir:

Uma mulher madura, de 43 anos, mãe de um adolescente, profissional bem sucedida e com dificuldades de estabelecer laços afetivos mais sólidos após seu divórcio, desenha uma forma circular marrom, com alguns toques esverdeados e com um contorno preto bem demarcado; em outro plano, umas montanhas com algo arredondado, de cor cinza por cima; no canto superior da folha, nuvens à esquerda o sol. Quando solicitada para descrever sua arte, na primeira pessoa do singular, diz:_ "Eu sou uma lagoa vista do alto. Antigamente, era verde, pura, agora bem poluída. Em volta estou cercada e a lagoa se petrifica. Eu me petrifico. Agora pareço uma pedrona no alto da montanha, nela fixada, mas não muito firme. Estou aquecida pelo sol e ao alto belas nuvens me deixam feliz. Alegre. E se eu cair, não vou despedaçar, vou me alojar na montanha vizinha, que parece pronta a me receber."

Em seguida, a terapeuta solicitou uma escrita livre, cujo produto foi: "Menino triste, com raiva, querendo entender e com raiva e chorando e perdido fazendo trama, não, é drama, que a mãe olha e chama: conta pra mim, por que você está triste assim? Aí, eu fico perdida, indecisa, se posso falar tudo, abrir o peito e me abrir, falar e rasgar. Então, olho o relógio e fico imersa na interrogação da tristeza e por que tanto esforço se vão sentir mesmo o desgosto, o dissabor e o medo.
Fico pesada,
cansada,
amargurada,
mas firme, sem jamais perder a ternura."

Essa mesma cliente, em outra sessão, quando começa a integrar partes de seu self que não eram admitidas como suas, faz um desenho abstrato e tem dificuldade de descrevê-lo na primeira pessoa do singular. A terapeuta oferece o recurso de expressar a arte em seu corpo, através de movimentos e, em seguida, a escrita livre, que produziu a poesia:

"O tempo parece esticado
Os rostos me são familiares
Gentis, risonhos, misteriosos.
Meu lado lúdico pula
Encontra-se com o autoritário
E se cumprimentam
A loucura permeia
As possibilidades
Descubro alguns espantos
Encantos e
Prantos
Os desenhos multicoloridos
Parecem contorcidos e
Distraídos
Talvez estejam simplesmente
Manifestando a dor, a beleza
E o amor
Quem sabe?

É importante enfatizar que quando utilizamos recursos expressivos em psicoterapia, não ficamos preocupados com a beleza da arte visual, a gramática ou o estilo da escrita ou a harmonia da música. Usamos esses recursos para deixar fluir, para expressar, para aliviar, para obter insights a partir das mensagens metafóricas.

O auto conhecimento do cliente expande-se à medida que seu movimento, arte, escrita e som fornecem pistas para outras explorações, para aspectos desconhecidos do self.

 

BIBLIOGRAFIA:
ROGERS, Carl. Tornar-se Pessoa. S.P.: Martins Fontes, 1978 ROGERS, Carl. Um Jeito de Ser. S.P.: EPU, 1983
ROGERS, Natalie. A Conexão Criativa. Trabalho apresentado no I Fórum Internacional da Abordagem Centrada na Pessoa, México, 1983.
ROGERS, Natalie. The Creative Connection: Expressive Arts as Healing. Palo Alto, California: Science and Behavior Books, 1993.

*Márcia Alves Tassinari nasceu no Rio de Janeiro, psicóloga, psicoterapeuta, Doutora em Psicologia pela UFRJ, sócia-fundadora do CPP - Centro de Psiclogia da Pessoa.

Leia mais:

Arte empática    http://paintcutpaste.com/empathy-art/

Conexão Criativa realizada em Julho de 2009, no Espaço Varanda do Lê